Oncogenética e imunoterapia contra o melanoma

Há dois tipos básicos de câncer de pele e muito diferentes entre si: o melanoma e os tumores epiteliais (não-melanomas).

O melanoma é o menos frequente entre todos os cânceres da pele (4% dos casos), porém é o mais grave e de pior prognóstico, com o maior índice de mortalidade. Entretanto, a chance de cura é de mais de 90% se houver diagnóstico precoce. Ele tem origem nos melanócitos, as células que produzem melanina, o pigmento que protege a nossa pele dos danos da radiação solar, mas também estão presentes em outros locais do corpo, como na retina e na medula.

A boa notícia é que, entre todos os tipos de câncer, o tratamento do melanoma é o que mais evoluiu em todo o mundo na última década, inclusive no Brasil. Surgiram medicamentos que bloqueiam proteínas defeituosas em células de melanoma (os inibidores de BRAF e de MEK) e que podem ser utilizados em metade desses casos em que uma mutação genética é identificada. A resposta a essas medicações costuma ser muito rápida, e o controle da doença pode durar muitos meses e, em alguns casos, até anos.

Os cientistas aprenderam a utilizar medicamentos que podem ativar a resposta do sistema imunológico para que ele ataque as células de melanoma. Esse tratamento funciona em muitos pacientes e, curiosamente, em cerca de 20% deles, a doença fica controlada por períodos muito longos ou desaparece completamente, fazendo-nos perguntar se esses medicamentos não curariam alguns pacientes com melanoma avançado.

De acordo com o Dr. Bernardo Garicochea, oncologista e oncogeneticista do Grupo Oncoclínicas em São Paulo, 3% dos melanomas são hereditários. Ele indica alguns pontos de atenção que podem indicar propensão à doença:

  • Pessoas que possuem uma grande quantidade de pintas escuras espalhadas pelo corpo.
  • Incidência de melanoma no paciente ou em algum parente muito jovem (menos de 35 anos).
  • Mais de dois casos de melanoma na família (em qualquer idade).

Nesses casos, há um teste genético capaz de identificar se há predisposição genética ao melanoma. O teste coleta uma amostra de saliva ou sangue para detectar a presença de genes ligados à doença.

Além dos cuidados gerais indicados a toda a população, pessoas com mais probabilidade ao melanoma devem estar constantemente mais atentas, pois ele pode surgir em áreas difíceis de serem visualizadas. Pacientes que já tiveram um tumor de pele diagnosticado estão sob maior risco de apresentar uma recidiva e devem ser submetidos a exames dermatológicos periódicos. Uma lesão aparentemente inocente para o paciente pode ser suspeita aos olhos do médico, e por isso métodos diagnósticos auxiliares (como biópsia e dermatoscopia*) podem ser indicados.

Dica: uma boa forma de observação constante é pedir a familiares que também estejam atentos às pintas – muitas delas surgem nas costas e pescoço, lugares de difícil visualização. É muito importante também estar atento a pintas que surjam sob as unhas, na palma das mãos e na planta dos pés.

O melanoma é o tipo de câncer que apresenta o maior número de mutações genéticas no DNA do tumor. Essas mutações podem favorecer a ativação e o ataque do sistema imunológico contra as células de melanoma. Por isso, a imunoterapia é uma das grandes aliadas no tratamento da doença.

Imunoterapia é o tratamento que promove a estimulação do sistema imunológico por meio do uso de substâncias modificadoras da resposta biológica. Em resumo, trata-se de um grupo de drogas que, ao invés de mirar o câncer, ajuda as nossas defesas a detectá-lo e agredi-lo.

*Dermatoscopia é um método que utiliza o dermatoscópio, espécie de microscópio que aumenta a imagem da pele de 10 a 70 vezes e permite a visualização das estruturas cutâneas sem nenhum corte ou desconforto. As imagens colhidas são computadorizadas e regularmente comparadas a cada visita médica.

Responsável Técnico: Dr. Bruno Lemos Ferrari - CRM-MG 26609